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O Medo do Câncer de Mama e a Terapia Hormonal na Menopausa: Um Chamado à Escuta, à Ciência e à Autonomia Feminina

  • clinicaavellan
  • 17 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Médica especialista explicando avaliação sobre menopausa e terapia hormonal em consultório.

Por Dra. Khatty Avellán

A menopausa, apesar de ser um evento fisiológico universal e absolutamente natural, tornou-se ao longo das últimas décadas um território de medo, mistificações e silêncio. Entre os muitos receios que acompanham essa fase, nenhum é tão recorrente e tão profundo quanto o medo do câncer de mama — um temor que, compreensivelmente, molda decisões, adia tratamentos e afasta mulheres de recursos terapêuticos capazes de transformar sua qualidade de vida.

Ao longo da minha prática clínica, percebo que esse medo raramente nasce de informações sólidas. Ele nasce, na verdade, de histórias interrompidas, de perdas familiares, de conversas mal explicadas, de manchetes alarmistas e de um imaginário cultural que associa hormônios ao risco, quase como se fossem sinônimos. Mulheres chegam ao consultório carregando dúvidas, culpa, insegurança — e, acima de tudo, a sensação de que precisam escolher entre viver melhor e viver seguras. É essa falsa escolha que precisa ser desfeita.

A ciência, quando adequadamente interpretada, oferece clareza. A escuta, quando generosa, oferece conforto. E a medicina, quando verdadeiramente humana, devolve autonomia.

1. A epidemia silenciosa do medo

O câncer de mama é, de fato, uma das doenças mais prevalentes entre mulheres no mundo. Esse dado epidemiológico alimenta um sentimento compreensível de vulnerabilidade. A combinação entre fatores genéticos, ambientais, reprodutivos e comportamentais — desde menarca precoce até obesidade, sedentarismo e consumo de álcool — contribui para um cenário estatístico que muitas mulheres interpretam como inevitável.

Contudo, o medo se torna desproporcional quando se mistura à desinformação. Vejo, com frequência, mulheres acreditando que a terapia hormonal é o principal determinante de risco — quando sabemos, com base em grandes estudos internacionais, que hábitos como sedentarismo, obesidade e consumo de álcool podem elevar o risco de câncer de mama mais significativamente do que a terapia hormonal da menopausa (THM). Este é um dado frequentemente negligenciado, mas fundamental para contextualizar escolhas terapêuticas de forma justa e equilibrada.

2. Risco real x risco percebido: o papel da informação científica

A medicina baseada em evidências é clara: a relação entre terapia hormonal e câncer de mama é complexa, mas não é o monstro que muitas mulheres imaginam.

O uso de estrogênios em doses adequadas e em formulações seguras, especialmente quando individualizado, não apresenta o impacto alarmante que se disseminou no imaginário coletivo ao longo das últimas décadas. O medo, inclusive entre profissionais de saúde, ainda impede prescrições adequadas e discussões honestas sobre riscos e benefícios.

É fundamental compreender que risco nunca é absoluto. Ele é calculado, mensurado, comparado. E deve ser interpretado à luz da vida real — dos sintomas debilitantes, do impacto emocional, da perda de vitalidade, da qualidade das relações e da saúde mental das mulheres que enfrentam, muitas vezes em silêncio, os desafios intensos do climatério.

3. O impacto do sofrimento não tratado

O climatério não é apenas uma transição hormonal. Ele é uma travessia física, mental, emocional e social. Sintomas como ondas de calor, irritabilidade, insônia, alterações cognitivas, fadiga persistente e diminuição da libido têm impacto profundo na rotina, no trabalho, nos relacionamentos e na autoestima feminina.

Diversos estudos demonstram que uma parcela significativa das mulheres tem sua produtividade prejudicada durante essa fase, e muitas reduzem sua carga de trabalho ou abandonam funções de liderança em decorrência dos sintomas. O sofrimento não tratado gera consequências reais, mensuráveis e duradouras.

Ignorar esses impactos em nome de um medo mal contextualizado não é, de forma alguma, a opção mais segura.

4. A terapia hormonal como ferramenta de cuidado

A Terapia Hormonal da Menopausa, quando bem indicada, representa uma ferramenta terapêutica poderosa. Ela atua na redução dos sintomas vasomotores, melhora a qualidade do sono, contribui para a estabilidade emocional, preserva a saúde óssea e cardiovascular e restaura a sensação de vitalidade.

É importante reforçar que a terapia hormonal não é uma solução padronizada. Ela deve ser sempre personalizada, considerando:

  • histórico clínico individual

  • fatores de risco

  • intensidade dos sintomas

  • expectativas e preferências da paciente

A decisão terapêutica precisa ser construída de forma compartilhada, com base em evidências científicas atualizadas e diálogo transparente.

5. Autonomia feminina como eixo central do cuidado

Nenhuma abordagem terapêutica é verdadeiramente eficaz se não respeitar a autonomia da mulher. A decisão de utilizar ou não terapia hormonal deve ser informada, consciente e alinhada aos valores individuais de cada paciente.

O papel da medicina não é impor condutas baseadas no medo, mas oferecer informação clara, contextualizada e honesta. O conhecimento liberta. A escuta acolhe. E a autonomia empodera.

Cuidar da menopausa é cuidar da vida como um todo — física, emocional e socialmente.

Conclusão

O medo do câncer de mama é legítimo, mas não deve ser um obstáculo à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida. A Terapia Hormonal da Menopausa, quando corretamente indicada e acompanhada, pode ser uma aliada importante no cuidado integral da mulher.

Mais do que tratar sintomas, o cuidado nessa fase exige escuta, ciência e humanidade. Informação clara é o antídoto mais eficaz contra o medo — e o cuidado verdadeiro nasce do encontro entre conhecimento técnico e empatia.

Sobre a Avellan

Fundada em 1991 pelos médicos Catarina Neves e Juan Avellán, a Avellan integra equipes de Dermatologia, Ginecologia e Obstetrícia e Cirurgia Plástica em uma abordagem preventiva, precisa e humanizada. Localizada em Lourdes, a clínica realiza cerca de 800 atendimentos mensais e dispõe de estrutura moderna para consultas, ultrassonografia e procedimentos estéticos. Nosso propósito é unir experiência médica, tecnologia e acolhimento para oferecer cuidado completo e individualizado ao longo de todas as fases da vida.

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Clínica Avellan – fundada em 1991 em BH. Cuidado integrado, humanizado e preventivo em Dermatologia, Ginecologia e Obstetrícia, Mastologia e Cirurgia Plástica.

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